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quarta-feira, 1 de maio de 2019



Maio moço e florido

É uma tradição primaveril cujas origens se perdem no tempo. Historicamente, o ritual das Maias acontece na noite de 30 de abril para 1 de maio. Manda a tradição que se enfeitem portas, janelas e outros locais com flores e giestas amarelas e com bonecas de palha enfeitadas. Presente em várias regiões do país, a tradição revela aspetos diferentes em cada uma, mas um denominador comum: as Maias floridas.

Ritos ancestrais

Na região de Trás-os-Montes e nas Beiras, as Maias surgem associadas às castanhas, como atesta o provérbio «Quem não come castanhas no 1º de Maio, monta-o o burro». Segundo a tradição, maio é o mês dos burros e o ritual tem como objetivo esconjurar os maus espíritos (o «Maio», o «Carrapato» ou o «Burro»).

Em Trás-os-Montes este ritual coexiste com o do Maio-Moço: as raparigas novas enfeitam um menino (o Maio-Moço) que levam a passear pela rua, em grande algazarra, com danças e cantorias redor dele.

Maia, quem és tu?

Há várias explicações para a origem desta tradição. Uma diz que a Maia seria uma boneca de palha de centeio à roda da qual era costume dançar durante toda a noite no primeiro de maio.
Outra possibilidade está ligada à origem do nome do mês de maio, surgido a partir de Maia,
mãe de Mercúrio.

Na região da Estremadura, a Maia é uma menina enfeitada com flores que percorre as ruas da povoação com as suas companheiras. No Alentejo, em especial em Beja, as Maias são meninas vestidas de branco, com uma coroa de flores na cabeça, que se sentam numa cadeira à porta de casa, na esquina de uma rua ou na praça. Entretanto as amigas pedem a quem passa “um tostãozinho para a maia”.

No Algarve é costume colocar à porta de casa os bonecos de palha de centeio vestidos de trapos e enfeitados. Em Lagos a tradição regressa todos os anos, com a eleição da Maia mais bonita da cidade.

A iniciativa conta com a participação da população que expõe, por toda a localidade, bonecas de trapos, elaboradas artesanalmente, vestidas com trajes típicos e enfeitadas com flores, retratando em alguns casos quadros quotidianos. Os trabalhos a concurso estão expostos nas janelas, portas, varandas, pátios de habitações e ruas, na cidade e em várias povoações do concelho.

Céu Coutinho 2012-05-02


terça-feira, 30 de abril de 2013

A tradição das Maias.



Muitas das remotas celebrações que continuam a ter lugar entre nós, ligadas ao primeiro dia de Maio, a apresentar um cunho marcadamente rural, terão como origem antigos ritos e cultos agrários, praticados pelos nossos antepassados, com o objectivo de assinalar o final do Inverno e a chegada da Primavera.


Além das consagrações florais representadas por pequenos ramos de giesta, colocados na noite de 30 de Abril para 1 de Maio, nas janelas e portas das casas – principalmente nas fechaduras –, nos currais, portões, cancelas, carros de lavoura e até nos animais, vamos encontrar, neste dia, outras práticas mágico-profilácticas e supersticiosas que o povo continua a manter (bebidas e manjares cerimoniais), tendo por objectivo a sublimação e erradicação do «Maio», igualmente chamado o «carrapato» ou o «burro», identificado com o mal e a doença – mascarando, assim, discretamente, a personificação do nome temido: o demónio.

Resquícios de ritos pagãos perfilhados pela Igreja, umas vezes a lembrar antiquíssimos cultos agrários, outras de significado menos preciso, o certo é que continuamos a observar nesta data a praxe de se colocarem cruzes floridas, feitas de cana ou madeira, nos campos de linho, de centeio e de trigo, dizendo-se em Nisa «que se vai pôr a cruz no pão».


Com efeito, vários povos e países celebram o primeiro de Maio – que se apresenta com carácter universal –, ritualizando praxes semelhantes às nossas, a lembrar remotíssimos cultos agrários ou festas solares, onde se revelam origens de uma comunidade predominantemente pastoril.


As «maias» chegaram mesmo a ser «proibidas temporariamente em Lisboa, por carta régia, em 1402, e substituídas por «procissões muito devotas», visando, este impedimento, proteger a religião cristã». As celebrações do primeiro de Maio «vistas como rituais pagãos» foram avaliadas por D. João I, numa carta de 1385, «como um costume diabólico e um crime de idolatria».


Este e outros rituais cíclicos do calendário aparecem, por vezes, associados às Florais, festas em louvor de Flora, deusa das flores e dos jardins e mãe da Primavera, realizadas em Roma nos dias 1, 2 e 3 de Maio.




Outra das tradições desta data consistia na «coroa das maias» (feita, por vezes, com flores de papel e enfeitada com laços e fitas de cores), que os rapazes depunham à porta das raparigas tendo, como significado, uma declaração amorosa. Com a mesma intenção, no Alto Alentejo, havia o uso de «deitar a maia», ou seja, de os rapazes atirarem um ramalhete de flores pelas aberturas das casas das namoradas, como testemunho amoroso.


"Há muito tempo atrás, no tempo de Jesus, queriam prendê-lo. Uma noite viram-no a entrar numa casa e resolveram marcá-la com um ramo de giestas, para o prenderem no dia seguinte. Quando amanheceu, por milagre, todas as casas tinham um ramo e como todas eram iguais não foi possível encontrar Jesus."


A tradição de colocar giestas nas portas no dia 1 Maio manteve-se na nossa região, dizendo-se que espanta as bruxarias e os maus olhados."

Ler mais: http://sarrabal.blogs.sapo.pt/46397.html